sexta-feira, 8 de junho de 2007

Futebol: ópio do povo!


Já dizia o velho chavão: futebol é o ópio do povo!

Tenho consciência de que o futebol é algo alienante; que pode servir de massa de manobra às intervenções políticas de caráter neoliberal; que é um setor que fortalece o capitalismo; etc, etc e etc!

Mas fazer o quê, se a paixão é mais forte que a razão?

SOU COLORADA! SOU CAMPEÃ!

Hoje o "meu" time foi ovacionado pela conquista da Tríplice Coroa. E isto é genial!

Parabéns à nação colorada!
Inter campeão da Libertadores! Campeão do Mundo! E agora, campeão da Recopa!

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Meio Ambiente



Dia 5 de junho foi comemorado o dia do meio ambiente.

Aproveito a passagem desta importante data para manifestar aqui a minha preocupação em relação à iminência de, ao meu ver, uma catástrofe ambiental: a transposição do Velho Chico (como é carinhosamente chamado o Rio São Francisco). Há notícias de que o exército iniciará as obras no próximo dia 25, em Pernanbuco, onde os militares já estão alojados.

O projeto de transposição do Rio São Francisco não é algo novo. Foi cogitado durante a regência de D. Pedro II, em 1943 por Getúlio Vargas, em 1994 por FHC e recentemente pelo presidente Lula.

Este projeto refere-se ao desvio de parte das águas do rio para a região do chamado Polígono da Seca. E está considerando apenas os supostos benefícios sociais e econômicos para aquela região, pouco atendo-se nos impactos ambientais e na alteração da dinâmica territorial que irá causar no país.

EM RESPEITO À NATUREZA. NÃO À TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO!

domingo, 3 de junho de 2007

O que é alfabetização e letramento?

Penso que alfabetização e letramento são coisas distintas.
Alfabetização refere-se à capacidade de ler e escrever, ao passo que letramento está além desta prática.
Um indivíduo letrado é aquele que possui a capacidade de fazer uso social da palavra ou seja, ele sabe ler o mundo. E, para tanto não há a necessidade desse indivíduo ser/estar alfabetizado.
Todavia, um sujeito alfabetizado não é, necessariamente, letrado. Penso que quem aprendeu a ler e a escrever mas não é capaz de utilizar estes mecanismos para interagir cotidianamente em sociedade, não está letrado.
Pensando um pouco, me veio à cabeça a lembrança de uma cena do filme “Central do Brasil”, onde a personagem de Fernanda Montenegro (não me recordo o nome), uma pessoa alfabetizada – e letrada, ganhava dinheiro para escrever cartas para pessoas (analfabetas) que não o sabiam fazer, mas estava óbvio que estas eram letradas, pois ditavam o que queriam comunicar. Esse recorte do filme ilustra bem o tema que estamos discutindo.

* Esta comunicação faz parte da atividade 4 da interdisciplina Fundamentos da Alfabetização.

sábado, 26 de maio de 2007

VOCÊ CONHECE A ESCOLA DA PONTE?


Foi neste semestre mesmo. Para complementar o G1 na cadeira de Ética, no curso de Geografia, me foi solicitado uma comunicação acerca do tema “ética”, voltada à minha área de atuação. Eis que me deparei com um novo problema: sobre o que falar?
Passado algum tempo, lembrei-me de uma entrevista com o educador José Pacheco que eu havia lido há alguns meses na revista Carta na Escola *. Dilema solucionado! Pois foi sobre a Escola da Ponte que falei aos colegas de aula.
Para quem não conhece a Escola da Ponte, ela fica na Vila das Aves, em Portugal, é pública e foi idealizada pelo anarquista José Pacheco. Nela não há currículo fixo, os estudantes escolhem o que querem estudar e, sobre a tutela de um educador, pesquisam o tema por 15 dias; ao término do período é verificado se os objetivos traçados foram alcançados e o trabalho recomeça.
A Ponte representa um novo paradigma e já existe há 30 anos. Todavia, por 10 destes anos ela foi mantida na clandestinidade, ou seja, as práticas lá adotadas eram escondidas do governo do país.
No começo, segundo Pacheco, eram duas escolas, sendo uma clandestina. E lá se forjavam os relatórios que eram enviados ao Ministério da Educação. A escola abrigava os condenados ao insucesso, “era uma miséria da ordem moral”.
Na supracitada entrevista, quando Pacheco é perguntado sobre como a escola tornou-se um modelo, ele diz:

“Digamos que nos faltou ética. Adotamos uma estratégia de resiliência, de dissimulação. Introduzíamos alterações na prática, mas fora elas não existiam. Se perguntassem aos alunos se eles estavam matriculados em determinada série, diziam que sim. Professores e pais eram treinados a mentir (...) Ao fim de 10 anos tínhamos um edifício aberto construído e os pais do nosso lado. Éramos um por todos e todos por um.”

Hoje a Escola da Ponte é uma referência em educação. Pacheco vive em São Paulo e sai semanalmente para visitar escolas brasileiras e, como ele próprio assumiu, está a conspirar!
*Carta na Escola – ed. Nº 13, fevereiro de 2007.

domingo, 15 de abril de 2007

"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Bertold Brecht

sábado, 14 de abril de 2007

Para refletir, de Maiakovski - Geografia e Pedagogia unidas pela poesia!

MINHA UNIVERSIDADE

Conheceis o francês
sabeis dividir,
multiplicar,
declinar com perfeição.
Pois, declinai!
Mas sabeis por acaso
cantar em dueto com os edifícios?
Entendeis por acaso
a linguagem dos bondes?
O pintainho humano
mal abandona a casca
atraca-se aos livros
e as resmas de cadernos.
Eu aprendi o alfabeto nos letreiros
folheando páginas de estanho e ferro.
Os professores tomam a terra
e a descarnam
e a descascam
para afinal ensinar:"Toda ela não passa dum globinho!"
Eu com os costados aprendi geografia.
Os historiadores levantam
a angustiante questão:
- Era ou não roxa a barba de Barba Roxa?
Que me importa!
Não costumo remexer o pó dessas velharias!
Mas das ruas de Moscou
conheço todas as histórias.
Uma vez instruídos,
há os que se propõem a agradar às damas,
fazendo soar no crânio suas poucas idéias,
como pobres moedas numa caixa de pau.
Eu, somente com os edifícios, conversava.
Somente os canos díágua me respondiam.
Os tetos como orelhas espichando
suas lucarnas atentas
aguardavam as palavras
que eu lhes deitaria.
Depois
noite a dentro
uns com os outros
palravam
girando suas línguas de catavento.